18 de out de 2012

Amadureceram



O Cravo encontrou a Rosa e, diferente do que nos conta a música popular da infância, nem ele ficou doente, nem ela despedaçou. De tão diferentes, pensaram que juntos seriam apenas um. Ela romântica e prática. Ele sonhador. Foi um verdadeiro caso de paixão. A Rosa buscava os sonhos e o Cravo, segurança. Ambos eram belos, vistosos, cheios de vida. Desejavam construir um futuro juntos apesar das diferenças. O tempo os arrastou em desalinhos. O Cravo acomodou-se, pensando já ter sonhado tudo o que lhe era possível. Perdeu o brilho, fazia exigências, determinava sensações e os sentimentos. A Rosa, por sua vez, já não percebia mais os motivos que a levaram à paixão. Sensibilidade ferida pelos arroubos de seu companheiro, resmungava, perguntando-se o porquê determinara sua existência à tão frágil destino. Com o tempo, o Cravo começou a se interessar por outras flores e a Rosa, quase murcha, resolveu seguir outros caminhos. Em direções opostas prosseguiram. Cada novo encontro determinaria o vazio e a busca. Até que um dia, reencontraram-se. Havia no olhar de ambos o mesmo encanto. No entanto, os sentimentos lapidados pela maturidade, possibilitaram o redescobrimento. A Rosa e o Cravo admiraram-se ternamente, compreendendo que o amor exige construção, serenidade e paciência. Esperar que o outro seja o que desejamos é pura perda de tempo. Relacionamentos são construções diárias, amadurecimento mútuo.