9 de jul de 2010

Aprendendo a dizer...Aprendendo a viver...




     Esses e todos os outros dias que já não consigo mais dizer se são segundas ou domingos, parecem sem nenhuma espécie de diferença e vida. Estou a me arrastar furtivamente, buscado nas profundezas de mim mesma. forças que ficam cada vez mais difíceis de serem encontradas.
     Acordo e faço tudo o que me foi atribuído como dever, mas, falta-me a motivação, a cor que produz sonhos e nos impulsiona à vida. Confessar isso, depois de quatro anos de batalha árdua contra os resultados inesperados de uma cirurgia mal sucedida, me provoca emoções contraditórias. Nenhuma revolta ou maldizer, mas uma dor interna que não cessa e que insisto em não classificá-la como depressão.     Me rendi a quase tudo que nunca pensei em fazer uso. Já nem sei quantos dias e noites chorei lutando contra esta visita indesejada. Recordo-me os dias onde pensava seguir caminhos que foram escolhidos por mim e, pasmo diante de minha pretensão. Pensava ter todas as respostas, todos os antídotos... Ledo engano, não tinha nada e o leme desse barco que a quarenta e dois anos comecei, aparentemente, a conduzir, estava à deriva. Eu não sabia.
     Não pensem vocês que perdi o gosto pela vida e não relato aqui nenhum lamento. Tudo isso faz parte de uma transgressão interna que já não suporta mais que eu diga que sou forte, que terei novamente o domínio da situação que, erroneamente acreditei prevalecer a minha vontade.
     Sinto que os dias me conduzem e continuo a procurar cores e motivações para que não fiquem todos com a sensação de déjà vu. Esse tipo de sensação só é prazerosa quando nos reporta a situações de alegria.
     É de cores, adversidades e motivos que os dias que virão precisam ser preenchidos. Não adianta mais me dizerem o quanto sou forte, descobri minhas fraquezas e, agora, em um ato de entrega absoluta, prefiro aceitá-las. Não se assustem, não me falta coragem, só me deixem sentir!
     Estou farta de afirmar que sou forte. Já interiorizei o quando “ser essa fortaleza”, me deixou sozinha.Foram os seus muros que não permitiram que ninguém percebesse o quanto doía , quantas lágrimas derramei e, quantas vezes, exausta me deixei tombar ao chão, sem nenhum amparo. Não me digam mais para não sentir. Sei que há caminhos! Preciso apenas deixar que os sentimentos me despertem. Preciso entendê-los!
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 09/07/2010
Código do texto: T2367707