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Pensei ter vivido...

PENSEI TER VIVIDO... Não era o que desejava, Nem tão pouco sabia o que esperar. Aconteceu... Agarrou-se como âncora, A um sentimento indefinido que lhe trazia amparo. Deixou-se envolver como criança, Levada por uma carência que lhe tornara vulnerável. Era pouco o que lhe oferecia, E era tudo o que precisava. Sonhos, ilusões, paixão. Todos esses sentimentos que sobrepõem à razão. Que deslocam os pés do chão. Possibilitam a entrega. Era pouco... Mas, pra quem pensava não ter nada Servia como antídoto para as dores Companhia para a solidão Afago para a ausência de carinho Era pouco... Quase nada... Sem exigências, Sem vida... Ora presente, Outra ausência absoluta. Cegava a realidade Contrariando o que é sensato e lógico Reportando a um conto de fadas. Inexistente... Fantástico demais para ser verdade! Vem a realidade... Tão dura quanto antes, Traduzindo-se em intensas perdas Tão absolutas quanto aos sonhos. Esvazia-se... Seus olhos perdem o viço, O peito enrijece... Sobra-lhe a solidão... A dor da ausência... A descrença e o medo. Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 27/09/2008 Código do texto: T1199195

Gratidão

Certezas de Amor

Estavas ali, sempre estivestes.

Não era matéria palpável

Nem ilusão temporária

Fazia parte dos dias

Desde sempre...

Um alento nos momentos de dor

Uma esperança de amor

Visitava-me nos sonhos

Acariciava-me o rosto

Registrava-se a presença

Partia...

Permanecia a sensação do encontro

Serenidade pretendida

Essência de sentimentos duradouros

Suavidade que se sente

Tal brisa suave tocando o corpo

Indivisível êxtase

Emoções desejadas

Puras, intensas

Tradução apropriada de Amor!

Amor maduro

Será preciso tempo para regenerar as lesões provocadas pelo desvario dos sentimentos. Não é possível afirmar se era amor de fato. Serviu como alento enquanto próximo estava. Agora, que apreende e absorve palavras proferidas sem nenhum compromisso estreito com a verdade, analisando frases soltas e atitudes contraditórias, percebe-se claramente a ineficiência das palavras que não condizem com a verdade. Realidade tão intensa quanto a fugacidade dos anseios de porvir. Confia cegamente na maturidade que se adquire, grata pelo aprendizado rápido e eficaz de que o amor, de fato, só existe nos atropelos da convivência, no encontro dos desajustes, no sentir mesmo nas turbulências, na expressão de respeito pelo que se é. Constância inconstante de emoções indefinidas e necessárias. Amadurecimento vagaroso determinado por momentos de desordem interna e externa. Cumplicidade que se expressa apesar dos enigmas e contradições de seres opostos que jamais se completam, apenas evoluem entre possíveis …

Caminhos dicotômicos

Não lhe diria verdades, nunca as conheci. Tampouco desfecharia os inúmeros sonhos inconclusos que permaneceram latentes enquanto pensávamos estar no caminho. Nunca saberíamos se as estradas que escolhemos e as trajetórias que fizemos foram realmente escolhas. De fato, pouco valeria lastimar e fazer conjecturas. Basta-me a realidade detectada pela pupila dos olhos teus e meus, sentida na pele como distante toque etéreo. Adormecida, enquanto em vigília presumes e anseias o que jamais viverás. Reformulas vontades, despertando sorrisos que se encontram longe de ser o que desejas. Não seria lamento, apenas dúvida, suspeita de equívocos... Desconfiança de que, se os caminhos não fossem bifurcados e dicotômicos, se os desejos não fossem imaturos, ainda estarias ao meu lado.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer