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Face refletida,,,


A face refletida no espelho parece não ser dela. Estranha sensação de distanciamento do desejava, e o que lhe fora oferecido pela vida. Olhos intensos, profundos, recobertos pela maquiagem que se desfaz quando incontidas lágrimas caem. Necessidade de afeto, carinho... Nada que seja infundado ou que não traduza sinceridade. Vazios que jamais serão preenchidos, sonhos que se foram e uma pressão intensa no peito que lamenta a ausência do pouco que almejou. Sorri... E no sorriso sustenta sua força! Sorri como quem luta sem buscar recompensas. Querendo acreditar que as verdades não existentes. Sorri de si, das lembranças ingênuas que não lhe traduziram nada. Das palavras que ouvira sem nunca terem sido sentidas. Do engodo, do engano, das ilusões. Da entrega absoluta dos sentimentos mais puros, todos em vão... Como em um filme, relembra... A crença, os corpos, sussurros, promessas que jamais seriam cumpridas... Esquecidas, perdidas na poeira da estrada. Medo... A certeza de não mais se apaixonar. Quando criança ouvira dizer “que o corpo que não pensa faz o coração padecer”. Não é o corpo que padece, a alma enrijece, petrifica. Couraça que aparece para defender-se. Há o sorriso, a dor... Lembranças, dores ainda maiores. Saudades intensas indiscutíveis.Dúvidas que não mais serão esclarecidas e ela sorri... Sorri do que vive, da ingenuidade perdida, da confusão de juras que se misturam em sua cabeça. O que fora verdade? Em que momento da entrega houve sinceridade? Era amor ou grande engano? Sedução ou entrega? Sorri... Confusa, e incapaz de encontrar respostas, enxuga delicadamente cada lágrima, retocando os traços e contornos. Olha-se novamente... Ergue o rosto, suspira, enche-se de sonhos novos e, nem por isso, mais reais e sai como o vento, deixando no espelho desilusões, esquecimentos. Talvez ainda encontre... O simples, essencial, verdadeiro e magnífico sentido de Amar! Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 12/09/2008Código do texto: T1174650

Gratidão

Certezas de Amor

Estavas ali, sempre estivestes.

Não era matéria palpável

Nem ilusão temporária

Fazia parte dos dias

Desde sempre...

Um alento nos momentos de dor

Uma esperança de amor

Visitava-me nos sonhos

Acariciava-me o rosto

Registrava-se a presença

Partia...

Permanecia a sensação do encontro

Serenidade pretendida

Essência de sentimentos duradouros

Suavidade que se sente

Tal brisa suave tocando o corpo

Indivisível êxtase

Emoções desejadas

Puras, intensas

Tradução apropriada de Amor!

Amor maduro

Será preciso tempo para regenerar as lesões provocadas pelo desvario dos sentimentos. Não é possível afirmar se era amor de fato. Serviu como alento enquanto próximo estava. Agora, que apreende e absorve palavras proferidas sem nenhum compromisso estreito com a verdade, analisando frases soltas e atitudes contraditórias, percebe-se claramente a ineficiência das palavras que não condizem com a verdade. Realidade tão intensa quanto a fugacidade dos anseios de porvir. Confia cegamente na maturidade que se adquire, grata pelo aprendizado rápido e eficaz de que o amor, de fato, só existe nos atropelos da convivência, no encontro dos desajustes, no sentir mesmo nas turbulências, na expressão de respeito pelo que se é. Constância inconstante de emoções indefinidas e necessárias. Amadurecimento vagaroso determinado por momentos de desordem interna e externa. Cumplicidade que se expressa apesar dos enigmas e contradições de seres opostos que jamais se completam, apenas evoluem entre possíveis …

Caminhos dicotômicos

Não lhe diria verdades, nunca as conheci. Tampouco desfecharia os inúmeros sonhos inconclusos que permaneceram latentes enquanto pensávamos estar no caminho. Nunca saberíamos se as estradas que escolhemos e as trajetórias que fizemos foram realmente escolhas. De fato, pouco valeria lastimar e fazer conjecturas. Basta-me a realidade detectada pela pupila dos olhos teus e meus, sentida na pele como distante toque etéreo. Adormecida, enquanto em vigília presumes e anseias o que jamais viverás. Reformulas vontades, despertando sorrisos que se encontram longe de ser o que desejas. Não seria lamento, apenas dúvida, suspeita de equívocos... Desconfiança de que, se os caminhos não fossem bifurcados e dicotômicos, se os desejos não fossem imaturos, ainda estarias ao meu lado.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer