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Recordações

Em prece me disponho é enumerar as bênçãos que tenho recebido nesta existência. Me recordo da infância, do carinho...amor incondicional que recebia, todas às vezes que chorando, corria para o colo seguro das pessoas que me amavam... São lembranças felizes de puro aprendizado. Recordo-me das vezes em que me ajoelhei para rezar o terço com minha avó. Das lágrimas que ficaram presas em seus olhos, enquanto aceitava corajosamente a vontade de Deus. Lembro-me das gargalhadas do meu avó que nasciam de dentro. Seu jeito culto e inteligente de vislumbrar a vida. Quando algo acontecia, ele dizia : “podia ser pior”. Na época eram só palavras...hoje, sei que tudo realmente pode ser pior. Cada um, na sua forma de amar, transmitindo o que seria necessário. Aprendi a ver a vida com os olhos do amor! A amar verdadeiramente meu semelhante, a me importar com as pessoas, a sofrer junto e enxugar lágrimas, a ouvir, analisar, ponderar o que for preciso e a ter fé. Essa última, me serve de sustentação e alicerce. Sempre que algo me acontece, seja na alegria ou na dor, encontro na fé a paciência que necessito para enfrentar as adversidades e, no coração, o sentimento de gratidão e reconhecimento por tudo que recebo. Há quem me veja como sonhadora...utópica...ingênua...mas, o que realmente importa pra mim é o que sinto. Como se não bastasse os familiares de sangue, a vida vem me presenteando com amizades sinceras, reconhecimentos de afeto que somam e se transformam diariamente. Recebo cada um que chega, com a mesma alegria e amor que me receberam. Curiosamente, sinto que a cada pessoa que conheço, me renovo... daí me sentir em constante mudança. Parece-me que estamos mesmo neste mundo para repartir. Deixando partes de nós no coração das pessoas e acumulando sentimentos de amor, respeito e admiração de uma forma infinita e maravilhosa. Agora, enquanto escrevo, sinto-me preenchida pelo amor de todos que me vêm à memória. Os que passaram e deixaram marcas profundas e inesquecíveis; que mesmo que distantes, estão presentes; preenchendo minha vida com suas lembranças. Eu não saberia dizer quantos...mas me recordo de todos... Sei que muitos ainda virão...que com cada um deles estarei aprendendo. E, assim vivendo, que consigo transformar meu caminho em um jornada de amor...interminável e valiosa. Em prece...ainda não encontro palavras pra agradecer. Mas, lágrimas de pura reconhecimento e alegria invadem minha face. Fecho os olhos... e a única palavra que me vem a mente é : OBRIGADA!


Wanderlúcia Welerson Sott Meyer Publicado no Recanto das Letras em 17/08/2008
Código do texto: T1132162

Gratidão

Certezas de Amor

Estavas ali, sempre estivestes.

Não era matéria palpável

Nem ilusão temporária

Fazia parte dos dias

Desde sempre...

Um alento nos momentos de dor

Uma esperança de amor

Visitava-me nos sonhos

Acariciava-me o rosto

Registrava-se a presença

Partia...

Permanecia a sensação do encontro

Serenidade pretendida

Essência de sentimentos duradouros

Suavidade que se sente

Tal brisa suave tocando o corpo

Indivisível êxtase

Emoções desejadas

Puras, intensas

Tradução apropriada de Amor!

Amor maduro

Será preciso tempo para regenerar as lesões provocadas pelo desvario dos sentimentos. Não é possível afirmar se era amor de fato. Serviu como alento enquanto próximo estava. Agora, que apreende e absorve palavras proferidas sem nenhum compromisso estreito com a verdade, analisando frases soltas e atitudes contraditórias, percebe-se claramente a ineficiência das palavras que não condizem com a verdade. Realidade tão intensa quanto a fugacidade dos anseios de porvir. Confia cegamente na maturidade que se adquire, grata pelo aprendizado rápido e eficaz de que o amor, de fato, só existe nos atropelos da convivência, no encontro dos desajustes, no sentir mesmo nas turbulências, na expressão de respeito pelo que se é. Constância inconstante de emoções indefinidas e necessárias. Amadurecimento vagaroso determinado por momentos de desordem interna e externa. Cumplicidade que se expressa apesar dos enigmas e contradições de seres opostos que jamais se completam, apenas evoluem entre possíveis …

Caminhos dicotômicos

Não lhe diria verdades, nunca as conheci. Tampouco desfecharia os inúmeros sonhos inconclusos que permaneceram latentes enquanto pensávamos estar no caminho. Nunca saberíamos se as estradas que escolhemos e as trajetórias que fizemos foram realmente escolhas. De fato, pouco valeria lastimar e fazer conjecturas. Basta-me a realidade detectada pela pupila dos olhos teus e meus, sentida na pele como distante toque etéreo. Adormecida, enquanto em vigília presumes e anseias o que jamais viverás. Reformulas vontades, despertando sorrisos que se encontram longe de ser o que desejas. Não seria lamento, apenas dúvida, suspeita de equívocos... Desconfiança de que, se os caminhos não fossem bifurcados e dicotômicos, se os desejos não fossem imaturos, ainda estarias ao meu lado.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer