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Responsabilidade de amar


Responsabilidade de Amar



Nossos sentimentos não estão no coração. Essa é uma forma que encontramos pra expressar o amor que sentimos. O coração é a expressão da vida, o sangue que bombeia, garante-nos a certeza de estarmos vivos. O vermelho, a pulsação contínua, tudo como sinônimo de sentimentos fortes.
Esses, podem até estar contidos no cérebro, mas, não encontraria nenhum símbolo mais significativo do que esse órgão fantástico, que representa a vida, para expressar o amor.
É o coração um terreno fértil. Nele semeamos aquilo que quisermos. Produzimos e transmitimos o que somos. E despertamos também sentimentos nas pessoas com as quais convivemos ou, simplesmente conhecemos.
Não, não simplesmente conhecemos...
Quando conhecemos alguém, misturamos mundos, semeamos. Nessa semeadura, muitas vezes nos esquecemos da responsabilidade que temos com outro. Com os sentimentos que despertamos, com as imagens que são criadas e aquelas que, com nossas atitudes e palavras, cultivamos.
A fragilidade dos momentos que vivemos, a ingenuidade que temos quando amamos, seja em que idade for, nos transforma em presas fáceis de grandes equívocos que, com o tempo se transformam em ervas daninhas, dilaceram ilusões, provocando lágrimas, cicatrizes eternas.
A responsabilidade com outro, não é algo imaginário. Não adianta dizer que a pessoa é a única responsável pelo que sente, não é assim que funciona. Podemos edificar ou destruir relações e pessoas e, mais cedo ou mais tarde, percebemos os danos que causamos ou as flores que plantamos.
Quando deixamos flores, os sentimentos que ficam traduzem alegria, saudade, esperança, uma indescritível, certeza da importância de nosso papel no crescimento e amadurecimento de alguém
Ao contrário, quando o que deixamos foi uma semeadura de dores e mentiras, os danos são irreversíveis. Depositamos angústias, destituímos sonhos e transformamos sentimentos dignos em rancores, desilusões e medos.
Sabemos o quanto é difícil... tudo o que envolve relacionamento humano é complexo, porque somos falíveis, instáveis e mutantes. Nem é minha pretensão, direcionar respostas, não as tenho, estou em condição de aprendiz. Mas, uma coisa é certa, não há nada mais importante do que o diálogo, a conversa franca e esclarecedora. Daquelas que minimizam dúvidas e proporcionam entendimento,
Conclusões só podem surgir do amadurecimento e a sinceridade é a forma mais segura e justa que um ser humano encontra de provocar menos danos ao outro e semear flores.

Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Publicado no Recanto das Letras em 14/06/2008

Código do texto: T1033928

Gratidão

Certezas de Amor

Estavas ali, sempre estivestes.

Não era matéria palpável

Nem ilusão temporária

Fazia parte dos dias

Desde sempre...

Um alento nos momentos de dor

Uma esperança de amor

Visitava-me nos sonhos

Acariciava-me o rosto

Registrava-se a presença

Partia...

Permanecia a sensação do encontro

Serenidade pretendida

Essência de sentimentos duradouros

Suavidade que se sente

Tal brisa suave tocando o corpo

Indivisível êxtase

Emoções desejadas

Puras, intensas

Tradução apropriada de Amor!

Amor maduro

Será preciso tempo para regenerar as lesões provocadas pelo desvario dos sentimentos. Não é possível afirmar se era amor de fato. Serviu como alento enquanto próximo estava. Agora, que apreende e absorve palavras proferidas sem nenhum compromisso estreito com a verdade, analisando frases soltas e atitudes contraditórias, percebe-se claramente a ineficiência das palavras que não condizem com a verdade. Realidade tão intensa quanto a fugacidade dos anseios de porvir. Confia cegamente na maturidade que se adquire, grata pelo aprendizado rápido e eficaz de que o amor, de fato, só existe nos atropelos da convivência, no encontro dos desajustes, no sentir mesmo nas turbulências, na expressão de respeito pelo que se é. Constância inconstante de emoções indefinidas e necessárias. Amadurecimento vagaroso determinado por momentos de desordem interna e externa. Cumplicidade que se expressa apesar dos enigmas e contradições de seres opostos que jamais se completam, apenas evoluem entre possíveis …

Caminhos dicotômicos

Não lhe diria verdades, nunca as conheci. Tampouco desfecharia os inúmeros sonhos inconclusos que permaneceram latentes enquanto pensávamos estar no caminho. Nunca saberíamos se as estradas que escolhemos e as trajetórias que fizemos foram realmente escolhas. De fato, pouco valeria lastimar e fazer conjecturas. Basta-me a realidade detectada pela pupila dos olhos teus e meus, sentida na pele como distante toque etéreo. Adormecida, enquanto em vigília presumes e anseias o que jamais viverás. Reformulas vontades, despertando sorrisos que se encontram longe de ser o que desejas. Não seria lamento, apenas dúvida, suspeita de equívocos... Desconfiança de que, se os caminhos não fossem bifurcados e dicotômicos, se os desejos não fossem imaturos, ainda estarias ao meu lado.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer